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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Origens


Origem dos anões

E eis que Omner saiu a caminhar sob a superfície de Eralfa. E observou os homens. E viu que Bël – Teâncun criou os humanos e utilizou da influência de Àlax para modificar a aparência dos humanos, mudando a cor de suas peles. Mas o mal causado pela desarmonia do cântico fazia com que os humanos divergissem entre eles simplesmente por que possuíam pigmentação diferente uns dos outros.
 Então, Omner que sempre observou, decidiu interferir. Ensinou aos homens a política e a civilização. E ensinou a eles a organizarem se em nações e a construírem metrópoles.
 E eis que as nações humanas cresciam sob Eralfa.
 E um povo entre os humanos se destacava em seus feitos. E suas cidades eram gigantescas, pois eles possuíam uma estatura elevada e sua vontade de crescimento era insaciável. E esse povo blasfemava dizendo serem eles os deuses do mundo. E começaram a exigirem das outras nações adoração e tributos em peças preciosas.
 E Bël – Teâncun não se agradou do que esse povo fazia em Eralfa, e amaldiçoando – os, diminuiu suas estaturas pela metade e os enviou para viverem embaixo das montanhas, moldando as pedras. E assim surgiu a raça dos anões em Eralfa.


O surgimento da fé

E vagou Omner sob as florestas. E viu Omner que Iévine havia criado também uma variedade de criaturas pensantes. E essas criaturas construíam suas moradas nas árvores. E viviam em harmonia sem nunca saírem da proteção das florestas. E eis que os homens, em sua ânsia de crescimento, começaram a desmatar as florestas para construírem suas metrópoles. E as criaturas das selvas temeram e algumas se iraram e provocaram grande matança aos homens. E são essas criaturas temidas até os dias de hoje. Já outras criaturas que não tinham disposição para a guerra clamaram a Iévine por socorro. E o clamor foi tão intenso que chegou aos ouvidos dos deuses. E Iévine se compadecendo das criaturas, auxiliou-as dando lhes poderes para fazerem feitos milagrosos. E foram essas as primeiras criaturas a possuírem fé nos deuses. E surgiu entre algumas destas criaturas, algumas dispostas a uma vida de dedicação e gratidão aos deuses. E foram as criaturas conhecidas como elfos que criaram os primeiros templos de adoração aos deuses.
E assim surgiram em Eralfa as ordens clericais.


                   A bruxaria de Bël

E caminhava Bël-Teâncun por Eralfa, indignado com a maldade que crescia no coração das criaturas. E maquinou um plano para destruir tais criaturas.
E colocou no coração de alguns o desejo de fazer coisas milagrosas sem a permissão ou consentimento de algum deus. Então deu a alguns homens instruídos e gananciosos o conhecimento sobre a magia. Disse-lhes que com rituais complexos era possível criar, entender e controlar as coisas. Disse-lhes que fora assim que Ele e os demais deuses haviam criado todo o universo.
 E esses homens encheram seus corações gananciosos de desejos de poder e puseram em prática os ensinamentos de Bël-Teâncun. E estes homens, que agora se denominavam bruxos ou feiticeiros, fizeram muitas proezas e se tornaram poderosos. E eles começaram a ensinarem outros para que estes lhe ajudassem. E quanto mais aprendizes eles tinham, mais eles queriam. E construíram escolas de bruxaria e muitos eram os que desejavam serem seus aprendizes.
 Contudo, alguns aprendizes notaram que quanto mais poderosos eram os feiticeiros, mas velhos e cadavéricos eram. Então, vendo Iévine o que acontecia, retirou a venda dos olhos dos homens e eles viram o preço que se paga por manipular as energias místicas do universo. Por não serem imortais como os deuses, os homens sacrificam sua energia vital em troca de energia mística. Com isso, quanto mais poder místico utilizam, mais velhos se tornam vindo a morrerem muito antes do que morreriam naturalmente.
 Mas a ganância dos seres falava mais alto e muitos continuaram suas práticas E vendo Bël-Teancun o efeito de sua trama ficou satisfeito, pois reduziu o tempo estimado de vida dos praticantes de bruxaria em mais da metade.



Ágtis, os senhores da ciência.


E viu Omner que Iévine muito se entristecera com o feito de Bël-Teâncun. E decidiu Iévine amaldiçoar todos aqueles que praticassem a bruxaria de Bël- Teâncun. E Omner sugeriu a Iévine que desse aos homens sabedoria e inteligência para criarem efeitos milagrosos com conhecimento prático de ciência, para que os praticantes de bruxaria não viessem dominar Eralfa com seus poderes. E seguindo o conselho de Omner, Iévine reuniu um grupo seleto de pessoas e lhes entregou o conhecimento da ciência. E os primeiros cientistas de Eralfa eram chamados de Ágtis, os senhores da ciência.
E os Ágtis dedicavam as suas práticas com mesma vigor e desejo dos bruxos, com a diferença de que na maioria das vezes, suas descobertas eram utilizadas para o bem estar de todos. Mas, devido à desarmonia, alguns Ágtis utilizavam seus conhecimentos para fins próprios e às vezes tão obscuros quanto os bruxos, e por isso, muitos foram descriminados e temidos igualmente aos bruxos.
 E os Ágtis se tornaram sociedades secretas dedicadas a vários caminhos da ciência. Alguns são vistos como curandeiros, sempre pesquisando ervas medicinais. Outros são vistos como bruxos, pois estudam elementos explosivos e efeitos químicos de produtos desconhecidos para a maioria da população. 


sábado, 17 de março de 2012

ERALFA




ERALFA
                                                                                                                                                                               
O PRINCÍPIO


E eis que no principio havia três. E aos três pertencia todo o poder.E seus nomes eram: IÉVINE, ÔMNER e BÉL-TEÂNCUN. E os três reuniram-se em conselho e disseram:_ Façamos um lugar onde possa existir vida em várias espécies e deleitemos em criar, entender e controlar para que possamos nos alegrar com o desenvolvimento de nossa obra.E assim, no princípio, se formou o universo. E no escopo de suas obras, deram uma atenção especial a um ponto do universo.E disse BÊL-TEÂNCUN: _Farei uma estrela que brilhará em glória e iluminará aquele planeta onde agora nos empenharemos em concluirmos nossa obra selando-a com nossa mais bela criação. E assim o fez. E disse ÔMNER: _ E farei o planeta girar sobre si, de forma que quando um lado for claro, o outro seja escuro, e quando um lado for escuro, o outro seja claro. Para que todos os seus habitantes possam maravilhar-se com a luz e com as trevas, cada uma ao seu tempo, e assim, aprendendo que uma não pode existir sem a outra. E assim o fez.E disse IÉVINE: _E farei dois satélites naturais que brilharão nos céus noturnos. E esses satélites lembrarão a todos aos que os olharem que os olhos da deusa estarão eternamente sobre eles. E assim o fez.E fez ÔMNER os mares e oceanos. Com um pouco de seu sangue ele os fez.E criou também todos os seres aquáticos.E fez BÉL-TEÂNCUN todos os montes e montanhas do planeta. Com um pedaço de seus ossos ele os fez. E criou também todos os seres que vivem abaixo das montanhas e sob elas. E criou também todos os seres que criam fortificações com blocos de pedra.E fez IÉVINE toda planta sobre o planeta. Com um pouco de seus cabelos ela as fez. E criou também todos os rios, lagos e fontes que sustentam os seres vivos. Com o leite de seus seios ela os fez. E criou ela todos os seres que vivem nas matas e florestas. E juntos, muitas outras coisas eles criaram. E em suas criações havia vida, mas permaneciam imóveis, pois aguardavam a palavra dos deuses. E levantando-se ÔMNER, disse: _Entoemos uma melodia que dê aos seres vivos a capacidade de pensar, criar e ter sentimentos.

 E a palavra de ÔMNER se fez sábia aos ouvidos dos deuses e eles entoaram uma melodia que soou pura e harmoniosa pelos confins do mundo. E eis que os seres vivos começaram a pensar e terem entendimento. E os deuses cantavam em uníssono e em perfeita harmonia e os seres começaram a terem belos sentimentos. E maravilhando-se BÉL-TEÂNCUN com a sua própria voz, entoou uma nota em um tom mais alto, desarmonizo, e por um momento de desarmonia na canção, surgiu nos corações de alguns seres sentimentos estranhos feios e maus. E ao término da melodia, lamentou-se BÉL-TEÂNCUN e disse: _Lamentável foi meu erro. Mas, destruiremos o que foi feito e refaçamos novamente, sem falhas.E levantou a mão para esmiuçar o que havia sido criado e todos os seres vivos do planeta temeram o fim. Contudo, levantando-se IÉVINE disse: _ Não. O que foi criado não deve ser destruído. Ainda que tenha havido uma pequena falha, o que foi criado é belo e deve ser preservado e amado por nós. E disse BÉL-TEÂNCUN: _ O tempo mostrará que essa falha, da qual muito me envergonho, não é uma falha pequena, pois, ela deforma, tornando o que é belo em feio, o que é bom em mau. E disse IÉVINE: _ Não nos precipitemos em destruir o que criamos, pois, tempo corrigirá a tua falha porque a beleza prevalece sobre a feiúra e o bem supera o mal. Mas, indaguemos ÔMNER a sua opinião e a quem ele apoiar, todos nós concordaremos. E assim fizeram.   Todavia, ao ser indagado, ÔMNER disse:_ Não tomarei partido em nenhum dos dois lados, pois não é meu destino aumentar uma contenda e sim observá-la e aguardar uma solução que traga o seu fim. E enquanto vocês não entram em um acordo, justo é a vida no planeta prosseguir. E ele se chamará ERALFA, pois gerou a contenda dos deuses.